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Blog do Diogo

Blog com dicas de festas, viagens e próximas edições da The Mansion.

Nós gays, uma crônica

Diogo Marques

Foto: Main Party do selo WE, Fabrik Madri

Foto: Main Party do selo WE, Fabrik Madri

Ufa, acabou a semana da Parada Gay da cidade mais festeira do mundo. Há dois slogans para definir Madri. O oficial, curto, contundente e intenso, como os madrilenos, diz: 
!Madrid!. Significa isso mesmo: BOOOOOM, uma bomba, Madri! O outro, espalhado pela cidade, nome de bares e ilustração em souvenir, anuncia: “Madrid me mata”. É bem realista e preciso, pode acreditar.
Vivi aqui quase dois anos, me ausentei um, e estou de volta para me surpreender não somente com o lugar que mais me fascina no mundo, mas também com a diversidade gay. E sobre a nossa fauna e flora seguem essas linhas.
Meus poucos amigos sabem: conheço muitos, aproximo-me de poucos, adoro andar sozinho. Andar, sair, viajar, dançar…Sempre fui assim. Talvez porque goste de fazer as coisas ao meu ritmo, talvez porque não saiba lidar bem com o diferente, talvez porque ao morar sozinho por muitos anos e em muitos lugares, basto-me.
Minha nova chegada a Madri, numa semana em que o mundo gay parecia estar todo na cidade, deu-me pistas de que é um bom caminho. Faz somente 20 dias, mas já rende um livro pré-escolar. Primeiro dia, contentíssimo, emocionado, trago conhecidos à casa onde estou hospedado e, horas depois, ao acordar, um soluço: 200 euros a menos na carteira. 
Não se trata de gays ou de brasileiros, mas de más escolhas mesmo. Bem, a má-fama dos cidadãos era patente, contaram-me depois. Mas aí vem a pergunta: como poderia saber?
Ilustro: em algumas horas, sobre um mesmo ser-humano, com que casualmente andava, ouvi pelo lado direito maravilhas; pelo esquerdo, que era um gângster; escutei pelos dois ouvidos que traiu-o-namorado-de-A-com-o-melhor-amigo-de-B. Detalhe: isso enquanto eu andava com a pessoa e encontrava interlocutores no caminho. Segue a vida.
Procurando casa para compartilhar, fui a uma entrevista que parecia auspiciosa. Casa cômoda, espaçosa, bem-localizada. O dono deu a entender que seria eu mesmo o inquilino. Alguns dias depois, pelo whatsapp, 6h30, confidências: "bom-dia, estou saindo para trabalhar e meu roomamate está fazendo uma orgia. Estou puto. Você não faz orgia, né?". Esse cidadão de repente desapareceu.
Enquanto isso, um latino com seus cerca de 25 anos, que andou postando umas fotos numa ilha da qual eu nem sabia da existência, perguntava se eu podia emprestar 100 euros. Era colega de academia. Não, não posso.

Foto: Locais e turistas festejam o Orgulho Gay em frente à Prefeitura de Madri

Foto: Locais e turistas festejam o Orgulho Gay em frente à Prefeitura de Madri

Na festa cinematográfica da semana gay, muita gente fazia o que se deve fazer numa festa: divertir-se sem dor de consciência, mas fiquei abismado quando vi um desses conhecidos de todas as festas, lindo, bem-sucedido e, ao meu ver, bem-resolvido, ter uma crise de choro.
Entre uma WE Party — a The Week daqui — e outra, academia lotada, impressões diferentes sobre a cidade, sobre os homens e sobre as festas: “estou achando os homens daqui muito devagar”, dizia um brasileiro. “Não posso reclamar de Madri”, contava outro, radiante. Alguém disse que preferia Barcelona. Madrid é mais chique…
Em meio a tudo isso, divertia-me ao ser quase interrogado por um estonteante belga sobre o porquê eu tinha um iPhone 4S. Ele me perguntava enquanto eu compartilhava o contato de um dealer. Thank you, guapo.
Voltamos à festa. Dessa vez, fui cercado por uma travesti que perguntava se eu “fazia por dinheiro”. Era muito dinheiro, dizia ela, apontando para o potencial cliente. Eu disse que acreditava ser um bom jornalista, mas conhecia, huuuum, uns 50 profissionais do sexo. No judgments, risinhos tortos, bailinho animado.
Em meio ao tiroteio, havia um curto-circuito nas redes sociais. Na da câmara que recém-mudou de logo, uma disputa por mais likes, e alguns que se apresentavam ou apresentavam seus amigos como “os populares do Instagram”. Parece que depois dos 30, tudo faz mais sentido. Ou será dos 40? Do outro lado, o obscuro, ou as redes-sociais-dos-finalmentes, nada de cabeça, mas uma carniceria de peitos de todos os tamanhos e larguras. Segredo e mistério para todos que esperam o mesmo de um sábado à noite. Ah, O Sruff é super forte na Espanha, anotem aí. 
Senhoras e senhores, é tudo muito divertido, mas é bom não levar as coisas muito a sério. Amizades se desmancham, amores se rompem, nervos afloram, verdades desabam, resta pouca coisa.
Idas e vindas, e foram muitas, sobra uma certeza: se amizades verdadeiras e duradouras se constroem, é melhor que seja num ambiente claro, neutro, sem a ajuda — ou atrapalho — químico. Essas têm mais chance de germinar e, felizmente, brotar.
Eu sigo entro
Eu sigo entre muitos, mas só, rindo por dentro ao escutar a frase de sempre ao final da aventura de dias: “ah, como eu queria um namorado”. Trata-se dos nós, esses de cordas, gays. 
Desmanche-os se for capaz.
ps.: por favor não entendam esse texto como uma crítica ao ambiente de circuit-party, do qual participo. É apenas uma crônica escrita em uma só toada na madrugada madrilenha.